segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Ainda sobre maternidade como experiência

Por coincidência, hoje cheguei no Everyday Sociology Blog e encontrei este post: "What kind of care do american babies receive?", refletindo sobre o que significa para a rotina das crianças passarem seus dias em instituições de cuidado.

Embora a gente tenha a idéia de que nos EUA, a educação pública funciona, há grandes variações regionais e ela inicia apenas a partir do ensino fundamental. Para colocar crianças pequenas em instituições escolares, é preciso pagar, e não é pouco. Como o artigo comenta, uma instituição padrão cobra u$200,00 por semana.

A reflexão que ela propõe tem a ver com algumas das questões que tentei expor ontem.

E só para esclarecer, quando sugeri que deveríamos deslocar o interlocutor do mercado de trabalho para questões de saúde, saúde mental e educação, estava justamente querendo marcar alguns limites de pensar o exercício da maternidade e paternidade apenas como contrapartida do trabalho e seus direitos. Estava propondo uma mudança no foco estratégico: para defender essa perspectiva de que os pais devem poder escolher ficar com os filhos, vamos acumular informações sobre os impactos da presença dos pais nos primeiros anos para a segurança dos filhos, vamos pesquisar o quanto se deixa de gastar com doenças na primeira infância se a mãe tem possibilidade de manter o aleitamento por mais tempo, vamos entender o que significa, para a independência de nossos filhos, que eles tenham tido a chance de serem dependentes quando pequenos.

Vamos mudar a chave iterativa do quem-paga-o-direito-do-pai-e-da-mãe-ficarem-em-casa? para os resultados de sua presença no capital humano e social de nossas crianças, (apelei, admito. Mas é que não sei se falar em felicidade funciona...). Vamos transformar o problema do direito ao afastamento do trabalho em um problema de direito da criança à educação de boa qualidade.

E para isso - concordo inteiramente contigo, Paulinho - precisamos também de uma discussão que não se limite à discussão de gênero, do tipo é preciso liberar o pai para ajudar a mãe. É preciso que ambos sejam vistos como co-responsáveis pela educação do ser nascido.

Daí minha provocação: as mulheres, movidas pelo desejo de estarem próximas a seus filhos e gozando de mais legitimidade social para fazê-lo, tem inventado diferentes formas de trazer os filhos pequenos para sua vida, ao invés de terem que abrir mão da vida para estarem junto aos filhos. Mas isso porque sua necessidade é de aumentar os limites da casa e do papel feminino.

E os pais? Principalmente aqueles cujo desafio não é aumentar os limites da casa, mas restringir os limites do trabalho? Porque a questão não pode se restringir ao gênero, mas é claro que há diferenças na experiência de mães e pais que se relacionam a diferenças de gênero. Provocando: quais os limites da masculinidade que a experiencia da paternidade incita a ultrapassar?

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