quarta-feira, 19 de novembro de 2008

quase-epígrafe

Essa era a minha epígrafe para a primeira parte da tese, metodológica:

“Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de...de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse “estilo” (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. (...) Quando falo em “humildade”, refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade como técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente”.

(Clarice Lispector)


Mas, por pudor, tirei ela de lá. Embora ela seja exata para dizer do que foi todo o esforço de encontrar um jeito de me aproximar das questões que me interessavam: nada mais que uma procura humilde.

Espero que, apesar da supressão da epígrafe, as coisas não me escapem totalmente.

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