quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

2009 e além

Desculpa de blogueiro dizer que não tem tempo para postar é tão ruim quanto qualquer outra desculpa. Então, sem pedir desculpas pela ausência, vou direto frustrar o eventual leitor para dizer que esse post ainda não é nenhum dos que eu me planejei fazer, ainda no já longínquo ano de 2008, onde valiam arcaicas normas de ortografia e havia uma crise econômica pra resolver. Mas, para não perder a viagem, indico a leitura de um artigo do Ladislaw Dowbor no Le Monde Diplomatique explicando de modo muito claro o que é a tal crise mundial, de onde veio e para onde pode nos levar (clique aqui para ver). Também no site do Nassif (aqui ), onde achei a dica.

Se crise econômica e tal é um petisco meio pesado para entrar o ano, então vá , onde finalmente se comprova cientificamente a necessidade de dar nomes aos bois. Vacas, no caso. Sério candidato ao prêmio Ig-Nobel 2009.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Entrevista com Slavoj Zizek

FOLHA: Como o senhor avalia a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos?


ZIZEK: A leitura cínica culminou na observação sarcástica de Noam Chomsky de que Obama é um branco que se tornou negro graças a um par de horas de bronzeamento. De forma realista, Chomsky pediu votos para Obama, mas sem ilusões... Compartilho as dúvidas de Chomsky sobre as conseqüências reais de sua vitória: é bastante possível que ele faça apenas pequenas melhorias, transformando-se em um "Bush com face humana". Ele seguirá a mesma política de modo mais atraente e assim fortalecerá ainda mais a hegemonia dos EUA, prejudicada pela catástrofe dos anos Bush.
Não se pode acusar Obama de hipocrisia: estamos lidando aqui com uma limitação da realidade social. Dada a situação complexa dos EUA, o que pode fazer um novo presidente sem provocar superaquecimento da economia ou uma violenta reação política?
Entretanto, tal visão pessimista é muito limitada. Nossa situação global não é apenas de uma realidade difícil, é também definida por contornos ideológicos, pelos quais ela é visível e invisível, dizível e indizível.
Obama já demonstrou extraordinária habilidade para mudar os limites do que alguém pode dizer publicamente. Sua maior conquista até agora é que, em sua forma refinada e não provocadora, introduziu no discurso público tópicos que eram, até então, de fato, indizíveis: a crescente importância da raça na política, o papel positivo dos ateus na vida pública, a necessidade de dialogar com "inimigos" como o Irã ou o Hamas etc. Isso é o mais importante atualmente: novas palavras que irão mudar o modo como pensamos e agimos. O velho ditado "Não fale apenas, aja!" é uma das coisas mais estúpidas que se pode dizer, mesmo medido pelos baixos padrões da sabedoria popular. Nada foi decidido com a vitória de Obama, mas ela amplia nossa liberdade e nosso arco de decisões.
(Publicada em: Folha de São Paulo, 19/12/2008)