sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Democracia em xeque

Nesta entrevista, o britânico Humphrey Hawksley, comentarista de relações internacionais da BBC, responde algumas questões a respeito de seu livro mais recente, "Democracy Kills: What's So Good About the Vote?" (lançado em setembro de 2009, já está esgotado na Amazon).

Já faz uns bons anos que Francis Fukuyama lançou a sua polêmica tese sobre o fim da história. Para Fukuyama, a democracia liberal seria a última etapa da história humana, a realização do Espírito tal como propôs Hegel. Desde então, os acontecimentos reais parecem contradizer o tempo todo esta tese.

Nesse sentido, Hawksley enxerga na China a maior ameaça à tese de que a democracia liberal seria a aspiração universal da humanidade. Ao contrário, a China parece caminhar a passos largos para um papel de dominação mundial, sem que suas instituições políticas autoritárias encontrem-se sequer ameçadas. E os EUA, segundo ele, também deixaram de oferecer um modelo ideal de democracia passível de exportação, com a sua política externa tendenciosa: democracia sim, mas apenas se os vencedores forem os nossos aliados.

A sua conclusão é de que a democracia, se ainda não está totalmente em perigo como modelo mundial, também não se encontra mais na posição privilegiada de aspiração política universal. Para Hawksley, para o regime democrático funcionar a contento, deve ter instituições políticas e partidárias fortes, e não ser baseada em critérios étnicos ou religiosos. Os países da América Latina, segundo o comentarista, encontram-se fora de perigo.

A democracia está em decadência

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