sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O risco das análises quantitativas

No recém-lançado The Quants: How a New Breed of Math Whizzes Conquered Wall Street and Nearly Destroyed It, o jornalista Scott Paterson, do Wall Street Journal, pretende mostrar como a aplicação entusiasmada e irrestrita dos modelos matemáticos como única referência para os investidores de Wall Street foi um dos fatores cruciais para a crise econômica que recentemente assolou o mundo.

A proposta de Paterson é contar como essa nova geração de matemáticos, os tais quants, imprimiram seus modelos matemáticos como única forma de cálculo dos riscos de investimentos. A ideia por trás do modelo era bastante simples - "mesmo se o risco individual de calote de cada hipoteca fosse grande, quando um volume muito grande desses empréstimos era agrupado em um só papel, o risco acabava diluído pois a probabilidade de um grande número de hipotecas deixar de ser pago ao mesmo tempo era remoto" -, e o avanço das tecnologias de informação permitiu rapidamente a difusão do modelo via softwares especialmente desenvolvidos, garantindo altos lucros em curto prazo.

O problema, que o modelo estatístico não conseguiu prever, também parece bastante simples (visto aos olhos de hoje, é claro): num momento de crise, os devedores passam a se tornar inadimplentes simultaneamente, estourando a bolha e destruindo a eficácia do modelo que, como se viu tarde demais, funcionava apenas em ambiente de estabilidade econômica.

O maior mérito do livro parece ser o de mostrar como a adoção pura e simples desses modelos unicamente quantitativos (e que deixam de levar em conta outros fatores econômicos, como taxa de crescimento, vendas e lucratividade dos papéis de cada empresa) não é apenas um fato recente e isolado, mas tem também a sua história, tendo exercido papel fundamental em pelo menos duas outras crises, a de 1987 e a de 1988. A conclusão do autor é simples: crises como essa ocorrerão novamente.

Gênios matemáticos erram as contas em Wall Street

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