quarta-feira, 31 de março de 2010

Seu peixe da Sexta-feira Santa é sustentável?

Você comeria alguma coisa que estivesse à beira da extinção? Normalmente, não, certo? Mas provavelmente você e eu não temos como escapar de consumir alimentos que, se não estão diretamente ameaçados de extinção, também não são 'sustentáveis' no longo e mesmo em médio prazo. Isso é bastante o caso de quem gosta de peixe e outros bichos aquáticos - meu caso e de muita gente. A poluição, a destruição de habitats, o aquecimento global e a pesca intensiva, predatória são as causas mais comuns, mas também a construção de barragens, a introdução involuntária ou não de espécies exóticas, e mais recentemente, a criação comercial de algumas espécies de peixes, ostras e camarões, que geram uma grande quantidade de resíduos, em alguns casos poluição química por abuso de antibióticos e hormônios. Mas não é o tema desse post os grandes, urgentes problemas ambientais, pelo menos não diretamente.
No player abaixo, o chef Don Barber conta na TED 2010 sua história de paixão por um peixe, ou como conseguiu servir um prato sustentável. Mas acaba descobrindo algo mais (está disponível com legendas em português do Brasil, no comando 'view subtitles').





No site, você também pode ter acesso a um monte de comentários, apoiando ou contestando e fazendo um monte de cálculos sobre a reprodutibilidade do modelo. Pode ser delírio meu, mas não pude deixar de pensar que talvez nossas praias, rios e florestas poderiam e deveriam ter um outro tratamento com esse 'approach'. A maioria das praias do Estado de São Paulo estão praticamente mortas ante o que já foram, assim como mangues já foram aterrados e poluídos em grande parte. Que o meio ambiente original do Brasil era um 'supermercado' gigantesco de delícias, que foi em grande parte arrasado por imensas monoculturas... e que a Kátia Abreu e todo o setor do 'agrobusiness' poderia considerar, muito, muito seriamente, mudar seu 'modelo de negócio'. Ou ser obrigados a tanto, pelo consumidor, e por todo mundo interessado na sustentabilidade ambiental. Como diz o Dan Barber, o pior é que o que produzem nem saboroso é. A parte tudo o que objetivamente perdemos com o modelo dominante de produção de alimentos - recursos naturais desperdiçados e populações estressadas, limitadas, dezenraizadas e em conflito pela posse da terra, por exemplo - perdemos nossa capacidade de sentir sabores e discernir detalhes, delicadezas e aromas, como se isso devesse ser privilégio dos que frequentam o Fasano. A 'ditadura do sabor' produzido em massa seria um sintoma das anomalias de um modelo predatório de produzir comida. Então, devemos pedir, e brigar por sabor. Por comida fresca e com gosto, como diz minha mãe. Saudades do lambari farto, saudável e delicioso dos riachinhos do Brasil...

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