terça-feira, 6 de abril de 2010

Medindo a felicidade

Sandra Bullock ganhou o Oscar, mas perdeu o marido. No momento de seu maior sucesso profissional (ou pelo menos do seu reconhecimento), também teve de lidar com o fracasso de sua relação pessoal mais importante. Há como comparar esses fatos? Ela deixaria de lado as suas conquistas profissionais para salvar o casamento, se essa opção lhe fosse dada?

A partir dessa questão, David Brooks lista alguns dos resultados de pesquisas recentes que tentam medir o efeito de diversos acontecimentos sobre a felicidade dos indivíduos. Aparentemente, o sucesso no casamento superpõe qualquer fracasso profissional. "Se tiver um casamento malsucedido, não importa quantos triunfos tenha em sua carreira, você permanecerá significativamente mal realizado".

Assim também descobre-se que, como todos os ditados já diziam há milênios, dinheiro não traz felicidade. "Em escala pessoal, o fato de ganhar a loteria não parece gerar ganhos duradouros em matéria de bem-estar. As pessoas não são mais felizes durante os anos em que conquistam mais promoções no trabalho".

Como era de se esperar, a felicidade atinge um pico quando as pessoas se aposentam e se livram de seus trabalhos. E, no plano das atividades cotidianas, o happy hour parece ser a solução para manter a felicidade. "As atividades cotidianas mais associadas à felicidade são o sexo, os encontros sociais depois do trabalho e os jantares com outras pessoas. A atividade cotidiana mais prejudicial à felicidade é o deslocamento de ida e vinda do trabalho [em São Paulo, esse deslocamento deve estragar qualquer resquício de felicidade conquistado em qualquer outro espaço]".

Como as teorias sociológicas mais antigas já sabiam, participar de um grupo (religioso ou não) e ser casado são fatores para a felicidade certa. "Segundo um estudo, participar de um grupo que se reúne, mesmo que seja apenas uma vez por mês, gera o mesmo ganho de felicidade que uma pessoa tem quando dobra sua renda. Para outro estudo, ser casado gera um ganho psíquico equivalente a mais de R$ 180 mil por ano".

Em tempo: pesquisas também indicam que ganhadores do Oscar, em média, vivem 4 anos a mais do que os indicados que não venceram...

The Sandra Bullock Trade (mais uma vez, o link vai para a edição em inglês do The New York Times, pois a publicação pela Folha de São Paulo é restrita a assinantes).

2 comentários:

  1. David Brooks é o comentarista 'conservador' do NYTimes, e 'conservador' no caso não é a mesma coisa que temos aqui na nossa imprensa - mais pra reacionários raivosos - e passa longe de coisas como Sarah Palin. Tempos atrás, anotei para comentar no blog depois uma coluna onde Brooks relacionava a crise econômica com a degradação dos valores da ética protestante. Já que eu não comentei nada... Eis o link (em inglês): http://www.nytimes.com/2009/09/29/opinion/29brooks.html?_r=1&em

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  2. Não conhecia direito esse comentarista, Edu! Esse artigo realmente é bem conservador! Só faltou ele tocar no assunto dos motivos para o declínio desses valores, que ele meio que localiza nos anos 1960...

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