terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma cena que daria um filme


Seria quase uma unanimidade apontar a cena do chuveiro em Psycho, de Alfred Hitchcock, como a mais importante, ou pelo menos a mais comentada, da história do cinema. O que eu não sabia, também porque o próprio diretor e a atriz Janet Leigh fizeram questão de esconder, é que a cena foi filmada usando uma dublê de corpo - Marli Renfro, ex-stripper de Las Vegas e uma das primeiras coelhinhas da Playboy, que foi estuprada e estrangulada em 1988, e cujo assassino só foi encontrado 10 anos depois. É esta a história que chamou a atenção de Robert Graysmith, autor de Zodíaco (narrativa que contava a história do serial killer que apavorou São Francisco na década de 1970, e que já virou filme), e que acaba de ser publicada no livro The Girl in Alfred Hitchcock's Shower.

Em 2001, o ajudante de obras Kenneth Dean Hunt foi sentenciado pela morte de duas mulheres, "incluindo uma atriz que foi dublê de corpo de Janet Leigh no filme Psicose", e que se chamava Myra Davis, suposto nome real de Marli Renfro. A partir daí, e há tempos interessado pela história da dublê, Graysmith foi atrás dos familiares de Myra Davis, para descobrir que ela nunca havia trabalhado sob o pseudônimo de Marli Renfro. A confusão toda se armou porque Myra foi a stand-in de Janet Leigh, usada para chegagem de iluminação durante as filmagens; este emprego acabou custando-lhe a vida, pois o assassino, segundo Graysmith, era um obcecado pelo filme, e queria a todo custo matar a dublê, pegando a substituta por engano.

Enquanto isso, Marli Renfro ficou alheia a toda a história, distanciando-se de seu passado e de Psicose, chegando mesmo a queimar todas as suas antigas fotos de nudez, a pedido de seu marido, e nunca tendo lido um único artigo a respeito do filme.

Eu só fico imaginando o que se passou na cabeça de Kenneth Hunt quando leu o livro de Graysmith...

Resenha do The Guardian: Secrets of the Psycho shower

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