quinta-feira, 29 de abril de 2010

Zumbilogia II? Ou: a noite das categorias zumbi II - a missão

Continuação do post anterior, com Ulrich Bech conversando com Johannes Willms (a referência está lá também):

JW: "Categoria zumbi" é uma expressão maravilhosamente feia, por isso eu quero insistir: que são categorias zumbis, como as reconhecer?

UB: Naturalmente isso não é fácil. Pelo menos não existe um teste com papel de tornassol para isso. Mesmo assim, pode-se dizer algo sistematizado: a antiga conceituação se baseava em três princípios hoje questionáveis.
Em primeiro lugar, trata-se do já mencionado vínculo territorial de uma sociologia cujo mundo imagético e os conceitos estão radicados no contêiner do Estado nacional. É a idéia de que o agir social precisa de um suporte territorial, de que a proximidade geográfica gera proximidade social, embora deparemos cada vez mais amiúde com situações em que os que convivem no mesmo espaço possivelmente se isoalm entre si e, ao mesmo tempo, se unem estreitamente a outros, em rede, a grandes distâncias. Essa idéia fundamental precisa ser incorporada à conceituação da sociologia. Quase toda a sociologia e a teoria politica tem um viés territorial, e é preciso repensar seus fundamentos em face do a priori digital de um mundo comunicativamente interconectado, no qual o social é independente das fronteiras espaciais, mas se estende e se consolida de modo novo.
Em segundo lugar, vem a suposição de uma coletividade do social prefixada. O indivíduo é em grande medida determinado pela situações em que se encontra. Não lhe cabe escolher essa situação, ela lhe é imposta. Assim se pensam os conceitos de classe, de família, de nação etc. e essa premissa é importantíssima para a sociologia, já que fornece justificação para abstrair a ação individual e colocar a autoconsciência do indivíduo sob a suspeita de ideologia, pois a realidade da situaçõa coletiva não ganha a expressão adequada. Diante disso, a sociologia devia por em primeiro plano as novas formas de individualização (...).
O terceiro seria o princípio da evolução, que diz: o estágio em que o Ocidente se encontra hoje significa um progresso funcional, um grau mais elevado de socialização, uma espécie de diferenciação superior às outras formas de socialização. Com esse viés evolucionista, a sociologia não consegue pensar nem se organizar, porque, no lugar de um otimismo progressista contido, colocou-se a contingência, ou seja, a abertura imprevisível e incontrolável dos desenvolvimentos. Por isso tornou-se discutível se esse tipo de modernização, devido ao lado sombrio que produz, não será contestado a ponto de levar à abolição da idéia de ganhos positivos, de progressos. Por meio de processos de diferenciação e socialização também se esgotou a idéia de uma situação coletiva razoável e pretedernminada para todos. As pessoas se isolam, tem de escolher, têm de produzir sua própria coletividade e têm de tomar consciência dela. Assim, a coletividade passa a depender muito mais da autodefinição do indivíduo isolado.

Crédito da imagem GeekDad-Wired e informações para combater zumbis aqui.

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