terça-feira, 11 de maio de 2010

Vida (digital) após a morte

Cerca de 3% dos usuários do Facebook já morreram, segundo estimativas da própria empresa. E, no entanto, seus perfis continuam lá, sem atualizações, com seus jardins e bichinhos virtuais morrendo, sem os cuidados diários. Esse é um problema novo, mas já bastante recorrente. Se, mesmo vivos, vários de nossos perfis em outras redes sociais "morrem" sem o nosso cuidado e acesso frequente, que dirá daquilo tudo que, mortos, ainda sobrevive.

Visando esse nicho de mercado, várias empresas têm adotado estratégias diversas, oferecendo novos serviços post mortem. O próprio Facebook se oferece pra congelar o perfil do usuário falecido, mantendo a página como uma espécie de memorial - é improvável, no entanto, que o morto consiga ler, do além, as mensagens enviadas pelo site.

Outros serviços são mais sofisticados. Imagine a surpresa quando, no seu aniversário, você recebe uma mensagem do pai ou namorado morto! Sim, pode-se programar o envio de mensagens aos familiares por anos a fio.

Mais divertido é o serviço que finalmente revela os segredos guardados durante toda a vida. Ao sinal de morte, o site DeathSwitch oferece a possibilidade de enviar emails contendo revelações, dados secretos, e o que mais se desejar - e alguns serviços básicos são gratuitos!

Com o passar dos anos, a tendência é mesmo do aumento exponencial dos "cemitérios digitais". Nada mais justo do que, ainda em vida, já comprarmos os nossos terrenos virtuais para a gestão da nossa morte...

Um comentário:

  1. Que coisa doida! Mas, de fato, faz algum sentido - se as formas de sociabilidade estão tão mediadas por essas redes, nada mais justo do que poder ser visitado após a morte também virtualmente.
    Sabe que há alguns anos eu perdi um primo. E antes mesmo de receber a notícia pela irmã dele, eu descobri que ele tinha morrido pelas mensagens que os amigos dele deixaram no orkut. Foi bem surreal... E como, é claro, a última lembrança nessas horas é apagar o perfil de quem morreu, passaram-se semanas e as pessoas continuavam deixando mensagens.
    De todo jeito, quando nos dirigimos aos mortos, não estamos nos dirigindo também aos vivos? Se os atos cotidianos passam a ser repercutidos em twitters e facebooks, porque não nosso diálogo com o outro mundo?
    Beijos!

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