segunda-feira, 5 de julho de 2010

Weber e o sentido da vida

"(...) a vida individual do civilizado está imersa no 'progresso' e no infinito e, segundo seu sentido imanente, essa vida não deveria ter fim. Com efeito, há sempre possibilidade de novo progresso para aquele que vive no progresso; nenhum dos que morrem chega jamais a atingir o pico, pois que o pico se põe no infinito. Abrão ou os camponeses de outrora morreram 'velhos e plenos de vida', pois que estavam instalados no ciclo orgânico da vida, porque esta lhes havia ofertado, ao fim de seus dias, todo o sentido que podia proporcionar-lhes e porque não subsistia enigma que eles ainda teriam desejado resolver. Podiam, portanto, considerar-se satisfeitos com a vida. O homem civilizado, ao contrário, colocado em meio ao caminhar de uma civilização que se enriquece continuamente de pensamentos, de experiências e de problemas, pode sentir-se 'cansado' da vida, mas não 'pleno' dela. Com efeito, ele não pode jamais apossar-se senão de uma parte ínfima do que a vida do espírito incessamente produz, ele não pode captar senão o provisório e nunca o definitivo. Por esse motivo, a morte é, a seus olhos, um acontecimento que não tem sentido. E porque a morte não tem sentido, a vida do civilizado também não o tem, pois a 'progressividade' despojada de significação faz da vida um acontecimento igualmente sem significação".

WEBER, Max. A Ciência como Vocação. In: Ciência e Política: Duas Vocações. São Paulo, Cultrix, 1993. p. 31.

Um comentário:

  1. E impressionante que, a despeito do questionamento da ideia de um progresso ilimitado e infinito, não tenhamos chegado a nenhuma nova utopia de plenitude...

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