sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eleições 2010: não escolha seu candidato por spam

Nessa eleição grupos organizados, isto é, profissionais, pagos, cabos eleitorais, com planos estratégicos, comandos, divisão de tarefas em estrutura organizacional, plano de carreira, ticket refeição etc., se dedicaram a espalhar com carinho e com afeto os mais aviltantes spams imagináveis, visando a difamação da candidata do PT à presidência Dilma Rousseff e portanto a assustar alguém o bastante para mudar o voto. Se você tem um e-mail, provavelmente recebeu um punhado desses. E são mentirosos sim. A bem do direito de resposta talvez circulem e-mails pouco elogiosos ao José Serra e à Marina Silva, mas não eu vi nem soube de nenhum. Contra o Plínio, aí quase com certeza ninguém nem se deu ao trabalho.

Eu não sou usuário de redes sociais – sou um sociólogo antissocial, não tinham percebido? – mas sei também que nessas redes esse pessoal também se dedica a fomentar comunidades que estão bem aquém do que se esperaria ser uma pregação política minimamente civilizada. Parece que se espalham relativamente mais nessas redes, até porque todo mundo tem um amigo que tem um amigo que... que é, digamos, sensível à ideologia que dá à humanidade mimos como Reagan, Bush, Berlusconi, Sarkozy, Netaniahu (sim, eu sei que uns não são tão parentes assim dos outros)... Veja que apesar de eu preferir não sentar perto deles nem ter motivos para elogiar nem apoiar na maior parte seus programas de governo, esses caras foram eleitos democraticamente e mesmo que aqui ganhasse o tucademo Serra a vitória seria tão democrática quanto a de Dilma, mesmo com o golpe baixíssimo de espalhar que a Dilma é a favor do aborto.

Serra provavelmente perderá as eleições pelos seus próprios erros e defeitos, por não ter propostas e não fazer alianças, e não mais que isso. Tivesse feito um quarto do que ele acha que ele vale como governante em São Paulo o páreo seria bem mais duro, mesmo contra a candidata do popularíssimo Lula. Mas não há como negar que a tática do bicho-papão faz lá suas vítimas, e enche de indignação nós que gostamos de futebol, digo, de campanha política sem catimba, sem ajuda do juiz (nem do bandeirinha, née Sandra Cureau), sem carrinho por trás nem entrada sem bola. Ocorre que tem gente que quer ganhar na marra (ou não quer perder e apela para a pancada)...

Metáfora futebolísticas presidenciais à parte, se você passou para a frente corrente de e-mails cheios de barbaridades, sem checar, sem pensar, achando que você devia mais é encher o saco daqueles seus amigos petistas chatos, sinto muito mas você não está ajudando o futebol arte, digo, a campanha sem baixaria. Tudo bem que tem gente que adora uma baixaria, um barraco, tem irresistível queda pela fofoca mais cabeluda, e não consegue viver sem. É um tipo de vício – Serra odeia viciados, lembram-se da lei do cigarro? O viciado perde a noção de realidade e passa a racionalizar seu mau comportamento para manter o vício. E o ódio então, ah o ódio, aquele ódio que nem a pessoa sabe onde começou, aquele ódio herdado, tradição de família como o almoço de domingo, quando gerações de parentes se dedicam a xingar o Curíntia, digo, a esquerda ou a direita ou sindicalistas ou feministas ou sei lá. Clicar no ‘encaminhar’ assim cheio de ódio para esse povo tem outro sabor... recalques ou ressentimentos, talvez explique isso em parte, como explica em parte fenômenos como o preconceito contra nordestinos imigrantes ou contra pobres abusados.

E alguém, finalmente, pode ter servido aos spammers ingenuamente, pela chamada boa-fé ou pelo spam ter vindo de alguém com quem tem amizade ou confia. Pois é, também é assim se espalham os vírus, worms e outras pragas informáticas.

A mesma internet que serve para espalhar boatos e baixarias, felizmente, também serve para checar informações falsas, lendas urbanas, histórias da carochinha e a vida pregressa dos políticos e outras figuras públicas. Essa capacidade parece que levou a chamada ‘grande imprensa’ a ser sistematicamente pega no flagra torcendo, distorcendo, mentindo, inventando, ocultando, esquentando, caluniando e usando mal o gerúndio contra a candidata do governo. Ora, todo mundo sabe que o que quer a Globo é, modestamente, governar o Brasil, não informar. De certa forma, ela veio fazendo isso até 2002, quando Lula conseguiu ser eleito.

Veja, acho que podemos até não complicar muito, não espalhar uma notícia negativa sem comprovação é uma questão básica de respeito a um outro ser humano, que se torna objeto da fofoca ou maldade calculada tanto nas esquinas, prédios e praças reais quanto no espaço virtual. Dito de outro jeito, as pessoas em suas relações, todo mundo, mesmo sem se darem conta, se dedicam muito a controlar o que fazem os outros. Mas há maneiras e maneiras. Como eu já disse, nós aqui gostamos de futebol arte.

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