quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sociologia do(e) guarda roupa II - cabides em conflito

Estou atrasado, sem desculpas. No primeiro post, vimos que alguns ricões novaiorquinos acham que é necessário pagar para alguém para lhes mandar jogar fora coisas que acumularam, incluindo roupas de grife e lembranças dos filhos, para conseguirem organizar seus guarda roupas, ops, desculpe, closets. Mas vamos vendo mais algum material de pesquisa: quem tiver paciência para assistir algum dos vídeos a seguir pelo menos aprenderá algumas dicas de organização de armários. Se estiver sem paciência, aqui vai um resumo do principal: 

1) antes de mais nada é mandatório jogar fora o 'excesso' de coisas: o organizado é sempre sóbrio (portanto, o excesso é sempre atrator do caos, sempre dionisíaco, sempre simbólico da perda de controle: todos os organizadores seriam apolíneos, ora pois).
2) NUNCA use cabides que não combinem - parece que os organizadores todos, todos, odeiam cabides descombinados; 
3) coloque junto 'coisas' iguais (calças com calças, lenços com lenços...), e a seguir, por cores, das escuras para as claras ou vice-versa assim como se faz com lápis de cor - fica fácil de achar, e se é fácil de achar automaticamente está organizado; e 
4) organizar armários elimina o stress, clareia a mente, organiza as ideias, traz paz de espírito e felicidade e até mesmo traz harmonia com o divino... 

Parece que esse último quesito é a questão fundamental, pelo menos nesse nível mais imediato: tirar da vista a barafunda privada e íntima de roupas e badulaques se afirma ser a via caseira da reconexão ou reconstituição de um certo equilíbrio, de retomada de um grau de 'ordem' e determinação, e ao mesmo tempo da aproximação a um 'ideal' estético (e prático), correspondente (mas não redutível) a outros anseios de 'ordem' ou 'organização' que temos. Por exemplo: a noção de que há implícita ou apriorísticamente uma certa 'ordem' / 'organização' pode ser relacionada à temas distintos como família, trabalho, politica, cidade, ou mesmo a uma certa 'ordem' natural (da natureza mesmo, bichos e plantas) indo até a ordem divina (o Paraíso cristão, por exemplo, parece que era bem organizadinho, até Adão... bom, o resto vocês sabem).

Tal (ou qualquer) ordem pode ser perdida ou estar ameaçada, daí ser necessária a ação até drástica para colocar ou restabelecer a 'ordem' no galinheiro. Ordem mental, organização social, o equilíbrio espiritual ou a ordem da gaveta de meias parece que até estabelecem uma hierarquia ou um 'sistema', mas isso é assunto para outro post (eu vou até lá no Egito arrumar umas gavetas e já volto).






















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