quinta-feira, 10 de abril de 2014

Retratos da Reconciliação

Essa reportagem feita pela New York Times Magazine vale muito a pena, pela beleza das fotografias - feitas por Pieter Hugo - e principalmente pela esperança retratada nas histórias e imagens.

São histórias duras, mas ao mesmo tempo são histórias de comunicação e responsabilidade e perdão - respostas possíveis diante da tragédia do genocídio.

É muito bonito o subtítulo da chamada: "Retratos da Reconciliação: 20 anos após o genocídio de Ruanda, a reconciliação ainda acontece um encontro de cada vez". É lenta e vagarosa, claro, mas também há algo de profundamente respeitoso em uma solução política que não atropela o tempo dos indivíduos - o de reconhecer a própria responsabilidade, o de conceder ou negar o perdão, o de não desejar definir qual o tempo/forma normal do ato de perdoar.

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Impossível não lembrar aqui a Hannah Arendt, n'A condição humana:

"Se não fôssemos perdoados, liberados das consequências daquilo que fizemos, nossa capacidade de agir ficaria, por assim dizer, limitada a um único ato do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre vítimas de suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. [...] Ambas as faculdades [perdoar e prometer], portanto, dependem da pluralidade, da presença e da ação de outros, pois ninguém pode perdoar a si mesmo e ninguém pode se sentir obrigado por uma promessa feita apenas para si mesmo; o perdão e a promessa realizados na solitude e no isolamento permanecem sem realidade e não podem significar mais do que um papel que a pessoa encena para si mesma" (A condição humana. 11 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010 [Trad.: R. Raposo; Rev. Técnica: A. Correia: p.296).

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