segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre o perdão

"Tese extrema e paradoxal [a de Jankélévitch e de Derrida), que requer infinitas e complicadas argumentações, mas que tem um fundo muito simples: perdoar significa responder ao mal com o bem, interromper a propagação do mal. No coração do perdão está, portanto, uma contradição que não pode ser abolida, mas deve ser posta em movimento, ou seja, tornar-se uma possibilidade para o agir. A impossibilidade (o imperdoável) do perdão não tem nada do bloqueio à ação, mas alude ao situar-se do perdão em um plano totalmente diferente do da lei, do direito e da justiça [...] Considerar o perdão como uma dimensão do agir significa reagir à lei do tempo, ao "o que está feito, está feito", implica afirmar a sua força ética: o perdão não abandona a ação ao fluxo do tempo, mas o interrompe, o faz recomeçar. [...] É impossível revogar a história, fazer com que as ações não tenham acontecido, mas pode-se continuar agindo caminhando por outra direção. Não se pode ser perseguido pelas próprias ações. O passado não pode esmagar o presente sob o seu peso. O perdão, livrando o agente do fardo da ação cometida, tem o mesmo poder inovador da ação humana".

Trechos de "O perdão, um escândalo necessário": texto de  Laura Boella, professora da Università degli Studi di Milano. O artigo foi publicado no jornal Avvenire, dos bispos italianos, 11-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto e está publicado na página do Instituto Humanitas Unisinos